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Como provar um vinho? 4 passos simples para avaliar um vinho

Escrito em 04 de Ago. de 2020

Como provar um vinho? 4 passos simples para avaliar um vinho

Já por algumas vezes, em conversas com amigos, surgiu a pergunta: "Como avalias/provas um vinho?". Na verdade é relativamente simples. Neste artigo vou dar-lhe 4 passos (baseados na Técnica Sistemática de Prova de Vinho WSET®) para que possa sistematizar as suas provas.


1. Observação (aspecto)

O primeiro passo (após servirmos o vinho num copo, de preferência com pé) deve ser o de observar. O processo de observação permite-nos avaliar três características do vinho - A claridade, a intensidade e a cor. Este processo deve ser feito sobre uma superficie branca (uma folha A4 por exemplo) de forma a não haver uma "poluição" da visão. O copo deve ser inclinado e a observação feita de cima do copo (tal como na ilustração abaixo).


A claridade é a característica que nos permite identificar se estamos perante um vinho límpido ou turvo. De seguida avaliamos a intensidade (pálida, média ou profunda). A intensidade poderá ser um bom indicador do corpo do vinho que apenas iremos notar quando o bebermos. Por último, devemos avaliar a cor, que se divide em diferentes "graus" consoante o tipo de vinho. Os vinhos brancos (limão – dourado – âmbar), os tintos (púrpura – rubi – granada – aloirado) e os rosés (rosa – salmão – laranja).

Mais do que reter as diferentes cores ou níveis de intensidade, o importante é perceber que pela observação destas três características, já poderemos retirar algumas pistas do que nos esperará no palato.


2. Olfato (nariz)


É provavelmente o mais difícil dos passos. À medida que vamos provando vinhos de diferentes regiões e países, percebemos o quão "pobre" é o nosso olfato. Um provador "profissional" identifica aromas que nós, "comuns mortais", muitas vezes nem sequer conhecemos.

O nariz permite-nos desde logo perceber a condição do vinho - limpo ou não limpo. É nesta fase que detectamos muitas vezes os eventuais defeitos que um vinho possa ter (e sobre este tema falaremos noutro artigo). Depois de avaliarmos a condição, é a vez de analisarmos a intensidade (ligeira - média - pronunciada). Trocando por miúdos, um vinho muito aromático terá uma intensidade pronunciada, e um pouco aromático, uma intensidade ligeira. Por último, identificamos as características do aroma (frutas, flores, especiarias, hortaliças, aromas de madeira, etc). Neste último ponto devemos socorrer-nos de aromas comummente conhecidos, isto é, de nada vale dizermos que um determinado vinho tem o cheiro do armário da casa da nossa avó, porque provavelmente as pessoas com quem estamos a partilhar esse vinho, não conhecem o cheiro do armário da nossa avó...

3. Palato (boca)

Esta é a parte que normalmente preferimos! Ao ingerirmos o vinho e ao passa-lo pela boca devemos estar atentos às diferentes características e começar a desenhar a nossa avaliação final.

O primeiro aspecto a reter é a doçura. É um vinho seco ou doce? Um vinho doce terá mais propensão a tornar-se "enjoativo" com o avançar da refeição. No entanto é um excelente aliado para fazer harmonização com sobremesas doces, por exemplo .

A seguir devemos focar-nos na acidez. Um bom truque para percebermos se a acidez é baixa, média ou alta, é percebermos o tempo que ficamos a salivar após ingerir o vinho. Quanto mais tempo salivarmos, mais acidez tem o vinho. Pelo lado inverso temos os taninos (baixo - médio - alto). Presentes na grainha da uva, os taninos provocam uma sensação de secura na boca (como se sentíssemos o céu da boca secar e a língua a "encortiçar").

Chegados a este ponto, já estamos em condições de avaliar o corpo do vinho (ligeiro - médio - muito). Normalmente, um vinho com muito corpo dá-nos uma sensação de encher a boca e de muita intensidade, ao passo que um vinho com corpo ligeiro dá normalmente uma sensação de leveza e delicadeza.

Nesta fase já estamos praticamente em condições de avaliar o vinho, faltando apenas identificar as características do sabor (ex. frutas, flores, especiarias, hortaliças, sabores de madeira, etc) e o final de boca (curto - médio - longo) que no fundo se traduz no tempo em que o sabor do vinho, após engolido (ou cuspido) se mantém em boca.

4. Conclusões

As conclusões não são mais do que uma classificação da qualidade do vinho provado, numa escala que vai de defeituosa a excelente (defeituosa – pobre – aceitável – boa – muito boa – excelente) e que pretende agregar todos os aspectos avaliados ao longo da prova.

Imagem: Wine Folly


A melhor forma de treinar é provando! Quanto mais provamos, melhores vamos ficando na identificação das diferentes características.

Se o ajudar a organizar a informação, pode visualizar o video abaixo - How To Taste Wine (em inglês) da autoria da Madeline Puckette, uma das autoras da página Wine Folly.

https://youtu.be/pJ_6QO-a5Us


Sugestões de Prova

Se quer começar a aprender um pouco mais sobre vinhos, pode (e deve) participar em workshops e provas organizadas por produtores em garrafeiras e feiras. É uma excelente oportunidade de provar e conhecer diferentes vinhos de uma forma orientada. Para tal basta pesquisar sobre os próximos eventos de vinho na sua cidade ou estar atento aos eventos na garrafeira mais próxima de sua casa.

Quando já se sentir à vontade com o mundo vínico, uma das formas mais divertidas de provar é juntando os amigos em casa. O método que sugiro é simples - Cada um traz um vinho diferente como "multa" e tapa o rótulo para que não se criem preconceitos. Depois é provar os diferentes vinhos e tentar adivinhar as características. No final podem revelar o vinho e comparar as diferentes respostas de todos.

AUTOR DO ARTIGO: UM BOM VINHO 

www.umbomvinho.pt


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